quinta-feira, setembro 28, 2006

...


Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Mafalda Veiga

segunda-feira, setembro 25, 2006

Em mim


Entra em mim
Ouve o que o meu coração te diz
Não os meus lábios
Não a minha boca
Nem o meu corpo perdido em ti

Entra em mim
Sente a minha alma a arder
Não as minhas mãos
Não as minhas palavras
Nem a loucura do meu prazer

Entra em mim
Vês o que te mostro?
Lês o que te escrevo?
Ouves o o que te digo?
Sentes-me?

Então não tenhas dúvidas
Assinaste-me o coração
Marcaste-me a alma
Entraste, sim!
Tenho-te dentro de mim!

quarta-feira, setembro 20, 2006

Seis coisas sobre mim

A vizinha do meiavolta , colocou-me este desafio: dizer seis coisas sobre mim, aleatoriamente.
Confesso que não ligo muito a vizinhos…até tenho uma certa dificuldade em me recordar como se chama o vizinho de cima e o vizinho de baixo. Mas há vizinhos e vizinhos…e a esta Amiga não pude “virar as costas” :). Por isso aqui vai:

1. O período mais feliz da minha vida – infância sem dúvida (morava numa aldeia que ainda hoje me povoa os sonhos): brincar, correr, saltar…o cheiro, sabor e toque da terra…estar na rua até os grilos cantarem…”andar aos pássaros”…matanças, vindimas, desfolhadas…o colo do meu avô!...

2. Sentimentos: o que me causa maior frustração é a Impotência de ajudar quem amo. O que mais me repugna é a Hipocrisia. O que mais equilíbrio me dá é a Amizade. O que mais me encanta é a Inteligência/Sensibilidade.

3. Adoro sentir adrenalina, seja provocada por uma viagem alucinante numa montanha russa, pela surpresa que preparámos para alguém que amamos, pela sensação de pecado, pelos riscos que a vida nos proporciona…

4. Detesto multidões, odeio caminhar por caminhar, abomino a rotina, não suporto gente mesquinha.

5. Obtenho prazer com o verde das montanhas, o azul do mar, o chilrear dos pássaros, o anoitecer em paz, o amanhecer apaixonado, o sorriso dos amigos, a partilha de afectos, dar e receber incondicionalmente.

6. E por fim, se me perguntassem quais foram os dias que viveste até ao momento que repetirias de novo? Responderia: dois – o nascimento dos meus filhos.

Olha, já está!...Nem doeu assim tanto. :)

terça-feira, setembro 19, 2006

Porque sim...Porque não...


Desde que me lembro de mim, o "porque sim" e o "porque não", sempre me deixaram um sabor amargo na boca. Se existem porquês, devem existir respostas mais ou menos plausíveis que satisfaçam a curiosidade e que não se fiquem por um simples acrescento de um Sim ou de um Não.
Uma de entre as muitas preocupações que tenho e sempre tive como mãe, é tentar justificar os porquês, embora reconheça muitas vezes, passados alguns minutos, que um porque sim ou porque não, faz com que dispenda muito menos energia, tornando-se por vezes inevitável quando o diálogo é inexistente. Pois...é que um diálogo pressupõe um emissor e um receptor, e quando o receptor é uma criança, a maior parte das mensagens que lhe são dadas são bloqueadas, desde que as mesmas não vão ao encontro do que gostariam de ouvir (não acontece só com as crianças...). Mesmo assim acredito (ou quero acreditar) que algo se retém...
Bom, mas tudo isto para dizer, que ainda hoje, quando me colocam ou me coloco a mim mesma certos porquês, nomeadamente ao que ao sentir diz respeito, limito-me a encontrar respostas sem resposta: sinto, porque sim...não sinto, porque não!... E sabem que mais? Gosto do que sinto. Porquê? Porque Sim... :)

quinta-feira, setembro 14, 2006

Rendo-me...estou seduzida pela Vida


O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício
Tudo cresce e o início
Deixa de ser início
E vai chegando ao meio
Aí começo a pensar
que nada tem fim!...

sexta-feira, setembro 08, 2006

Cântico Negro


Vem por aqui” – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali …

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos …

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí …

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos …

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios …

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “Vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou …
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!

José Régio

terça-feira, setembro 05, 2006

Teste psicológico

Conta a história de uma rapariga, que durante o funeral da mãe, conheceu um rapaz que nunca tinha visto antes.
Ela achou o rapaz tão maravilhoso que acreditou ser o homem da vida dela.
Apaixonou-se por ele e começaram um namoro apaixonado que durou uma semana.
Sem mais nem menos o rapaz desapareceu e nunca mais foi visto.
Dias depois ela matou a própria irmã.


Questão: Qual o motivo da rapariga ter morto a sua irmã?


Como os motores estão dificeis de arrancar, deixo-vos aqui este teste. Confesso que pessoalmente fiquei surpresa com o resultado...e algo preocupada, pois a minha lógica mais que óbvia para mim, não foi a lógica de mais ninguem a quem "fiz este teste".
Por isso, se quiserem ser submetidos a este aterrador teste, respondam para aqui. (para que as respostas de uns não influenciem as respostas dos outros).
Depois "publicarei" os resultados. :)
Até lá, fiquem bem...

sexta-feira, setembro 01, 2006

Bom fim de semana


“…apetece-me fazer de cada página um barquinho de papel e deixá-las navegar pelas sarjetas na esperança de que outra mão as receba como uma espécie de Índia onde cheguei por acaso…”

António Lobo Antunes

Barcos de Papel