quarta-feira, junho 28, 2006

(In)dependência

"...Não gosto de drogas. São elas que gostam de mim. Não é fácil gostar de mim. Por vezes estou tão perdido, tão sem falta de mim que vou buscar às drogas a ilusão de que sou eu. Ou que deixei de ser eu e passei a ser um outro qualquer. Tudo menos eu. Simplesmente adormecer, por vezes é tão difícil. Quando a lucidez se torna insuportável, quando a realidade me arrasa, quando o tempo bate devagar, muito devagar, à cadência ensurdecedora dos segundos. Porque o tempo, esse nunca se cansa. E por vezes encontramo-nos diante de uma porta fechada e a chave para sempre perdida...."
in "Os corações também se gastam"
Pedro Paixão


Ontem, hoje, amanhã, sempre

Pessoas que se entregam ao vazio
Olhos estampados num rosto frio

Beijam a dor
Riem com lábios sem cor
Amam desconhecendo o amor
Nadam num lago lamacento
Choram lágrimas em desalento
Olham a morte a todo o momento

Amanhã é tarde demais
Solta a angústia que te sufoca
Sente a dor quando cais
Abandona a tua toca
Sonha sem teres medo
Saboreia a tua solidão
Imagina repartir o teu degredo
Numa sala vazia de incompreensão
Onde és o Rei, és Homem, és Amor em Segredo!

14 Comments:

Blogger Claudia said...

E as portas fecham-se com tanta facilidade. Abri-las, torna-se por vezes inexequível...Mas o maior problema, é que nem sequer chegamos a tentar...
E assim, nada se alcança. Porque é sempre mais fácil desistir do que lutar.

Beijo

6/28/2006 10:50 da manhã  
Blogger Martha said...

Apenas com "um pó branco assasino" como lhe chama, pode-se ver uma porta chamada "vida" fechar-se com tanta força que dificilmente se abre novamente...ou se por acaso se consegue abrir, ficam sempre marcas sem vincadas de uma vida bem sofrida por um "um pó branco assasino"...beijinhos e bom dia!

6/28/2006 11:02 da manhã  
Blogger maresia_mar said...

Uma praga sem fim á vista... depois de se estar dentro, é muito dificil sair, é preciso muita força, muita ajuda e na maior parte das vezes é mais fácil desistirmos todos, até a sociedade.. Bjhs

6/28/2006 12:03 da tarde  
Blogger naturalissima said...

Muitas vezes há que passar por situações para nos testarmos.
Muitas vezes há que "bater fundo" para sairmos dela lucidos e com outras vontades.
É sem dúvida mais fácil desistir do que lutarmos pela nossa felicidade.
Vou repetir algo que tenho vindo a dizer ao longo dos blogs: é fundamental, é importantíssimo, olharmos para dentro de nós e questionarmos sobre a nossa existência, a vida, quem somos e o que estamos a fazer. Só o nosso ser, a nossa verdadeira essencia é que nos poderá ajudar a encontrar o que mais desejamos. Só dentro de cada um de nós é que encontramos as valiosas respostas.

Nós somos a trsiteza, Somos nós a Felicidade.

Um beijinho
Daniela

6/28/2006 12:09 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O amanhã não devia ser tarde numa situação destas...beijinhosss, Léo

6/28/2006 1:27 da tarde  
Blogger mar_e_sol said...

cláudia, a chave, está em ter muitas chaves...;)
Beijo

martha, se fosse só o pó...mas há tantas...;)
Beijo

maresia_mar, desistir nunca! ;)
Beijo

naturalissima, perguntas com respostas difíceis, não?!...
Bora lá a olhar para dentro de nós...;)
Beijo

6/28/2006 2:06 da tarde  
Blogger mar_e_sol said...

Léo, se se for a tempo não é...;)
Beijo

6/28/2006 2:07 da tarde  
Anonymous Pedro said...

muito giro

6/28/2006 5:18 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Eu drogo-me e ainda nunca me aconteceu (felizmente) pensar deixar de o fazer...
...a minha droga???
A vida, adoro-a, preciso dela, dependo dela, de mim!!!

Beijinho feliz amiguinha virtual, ainda não me esqueci de ti, :-)

6/28/2006 5:35 da tarde  
Blogger mar_e_sol said...

pedro, achas? ;)
Obg pela visita.

anonymous, :))))
Beijinho grande para ti!

6/28/2006 6:40 da tarde  
Blogger alice said...

estas palavras entraram em mim mais depressa do que um gole...

nunca tive qualquer experiência com drogas, à excepção do tabaco

tive sim uma relação com um toxicodepentende e bastou-me...

um dia, quando o mar for branco como um certo pó, esquecê-lo-ei

um beijinho,

alice

6/28/2006 7:44 da tarde  
Blogger mar_e_sol said...

alice, entendeste-me...estas linhas que "versejei" foram escritas numa altura em que tb vivi muito de perto algo aterrador...é efectivamente ATERRADOR! E mais uma vez a impotência do amor perante algo que nos transcende, arrasa-nos...
Beijinho

6/29/2006 12:02 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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7/21/2006 11:27 da manhã  
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7/23/2006 8:01 da manhã  

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