segunda-feira, maio 15, 2006

A roseira

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade

Eu e as flores nunca tivemos uma relação muito próxima. Gosto de dar e receber flores, gosto do cheiro que exalam, gosto de ver um jardim cuidado, mas eu, cuidar de flores ou plantas sou um autêntico desastre. Dizem que é preciso falar com elas e tratá-las com amor e carinho. Talvez tenha andado a minha vida toda ocupada de mais com outras coisas que não me deram espaço para apreciar a beleza que tenho à minha volta.
Não percebo porque é que este fim de semana fiquei triste quando deparei que a única roseira que tinha lá em casa estava seca, completamente seca. Nada de espantar. Foi só mais uma que não soube cuidar. Talvez achasse que estava preparada para cuidar de flores. Mas não. Tenho imenso para aprender e um longo caminho a percorrer. Resta-me a memória do aroma que perdurou durante alguns dias e a esperança de que não deixe morrer uma próxima.