quarta-feira, maio 24, 2006

O poder das palavras

"Um sábio e conhecido conto árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.
- Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
- Mas que insolente - gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.
Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:
- Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.
- Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer..."
Um dia fui a uma taróloga. Curiosidade, respeito, experiência...fui e pronto! No dia seguinte ao partilhar com um colega esta visita ele comentou muito naturalmente: ouviste tudo o que esperavas ouvir, não foi? Ao que eu respondi, sim...mais ou menos. Pois...a sabedoria está nas palavras e na forma como são transmitidas. Sempre repletas de uma enorme ambiguidade. Quem as ouve, de uma maneira geral, interpreta-as segundo a sua própria vivência e elas encaixam na perfeição.
Ai as palavras...interpretamo-las sempre da forma que queremos, isto quando elas são ditas, porque quando não as ouvimos, meu Deus, as interpretações aumentam em catadupa.
Lá disse Michel Montaigne: "A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a ouve"!...

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Damos demasiada importância aquilo que não a tem...beijinho, Léo

5/24/2006 7:33 da tarde  
Blogger Arion said...

Abençoadas palavras, as de Montaigne... Tal como diz a Laurie Anderson, as palavras podem mesmo ser um vírus. Mas tão necessárias...

5/24/2006 8:21 da tarde  
Blogger mar_e_sol said...

Léo, talvez...;)

Arion, pois...;)

5/24/2006 11:13 da tarde  

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