quarta-feira, maio 31, 2006

Queria ser...

Queria ser chuva
Que molhasse teu corpo
Queria ser Sol
Que iluminasse teu rosto
Queria ser arco iris
Que colorisse teus dias
Queria ser vento
Que agitasse o teu olhar
Fui terreno árido
Que te secou
Fui escuridão
Que te fechou
Fui sombra
Que te tapou
Fui sopro estagnado
Que te imobilizou
Queria ser
Mas não fui
Nem sou!...

terça-feira, maio 30, 2006

Vem e lavra-me

Fecho os olhos e consigo
lembrar o que fiz contigo:
foi amor como não há!...
Mas no meio desta insónia
nua e sem cerimónia
acaricio-me já...
Mas falta-me a tua mão
os teus lábios, o escaldão
da tua lingua macia...
Percorre-me com teu tacto,
põe-me de gatas no acto
que mais libera a magia!
Corre para a minha beira!
Lavra-me! Eu sou a leira
que ressequida reclama...
Vem e faz-me amor sem rede,
vem e mata minha sede,
à rédea solta, na cama!
Teresa Machado

segunda-feira, maio 29, 2006

Dias coloridos

Detesto não controlar situações. Sempre o fiz, inclusivé as minhas emoções. Gosto da lógica. Gosto de tudo o que é racional. É tudo tão mais fácil.
Hoje não era suposto "postar". Não queria. Não queria palavras, não queria cores, não queria nada. Mas irracionalmente sinto uma força inexplicável que me impele a fazê-lo.
Quero acreditar em dias coloridos apesar de saber que as cores já estão gastas. Racionalmente estas cores não existem. Mas continuam a povoar os meus dias, invadindo o meu espaço, o meu tempo, o meu ser...
Definitivamente não consigo terminar este dia a preto e branco.

People

Eu adoro Barbra Streisand. E hoje, porque faz todo o sentido, deixo aqui mais uma melodia desta grande Senhora, intitulada "People".

Nada para dizer

Haveria tanto para dizer
neste dia
mas
as palavras cansaram
as mãos entorpeceram
os olhos se fecharam
os cheiros desapareceram
os sons silenciaram
Não há nada para dizer
Neste dia
Somente
Saudade do outro dia

sexta-feira, maio 26, 2006

Abalar sem destino nenhum...ou não!...

À beira do fim de semana, mesmo à beirinha, vou-me pôr à estrada.
Mas...
Tantos mas que me prendem...
Tantas perguntas sem resposta...
Tantos talvez na minha vida...
Mas...
Tantos desejos que tenho...
Tantos sonhos que quero viver...
Tanto sentir que me sufoca...
Mas...
Decididamente vou partir
Para cruzar caminhos conhecidos
Outros nem por isso!...

quinta-feira, maio 25, 2006

Rosa rosa

Um blog reflecte um pouco de nós, para não dizer muito de nós...
Um "post" reflecte estados de espirito momentâneos ou não...
Esta imagem era para ser "postada" num início de semana, com um determinado propósito. Mas acaba por ser "postada" num final de semana com outro propósito.
A vida é assim mesmo. Feita de momentos!...

...

quarta-feira, maio 24, 2006

Outros poderes...


O ser humano é mesmo um animal de hábitos. Bom…ou então sou eu que sou um bicho muito estranho. Há algum tempo “postei” sobre o facto de me ter habituado a fazer as compras de supermercado num determinado local, e que me estava a ser extremamente difícil largar esse hábito (confesso que ainda não o perdi totalmente…mas estou melhor). Quanto às ruas que tenho que percorrer para chegar ao local onde actualmente resido, a situação é algo idêntica. Dou por mim imensas vezes nas ruas que me levam até ao local onde morava. Como se eu e o carro estivéssemos programados para ir para ali e a alteração nessa programação ainda contenha algumas falhas.
Por outro lado, há caminhos pelos quais podemos passar vezes sem conta que nos passam despercebidos. Depois, por esta ou aquela razão, é impossível passar por eles sem sorrir, pois emanam um raio de luz, que nos ofusca, nos cega, e nos leva a percorrer esses mesmos caminhos. Talvez porque neles tenhamos encontrado paz um dia…dia em que as cores se tornaram mais fortes, os cheiros mais intensos, os sentidos mais vivos…há caminhos assim!
A minha prima hoje regressou de férias. Percorreu os "Caminhos de Santiago" a pé. Os seus relatos deixaram-me de água na boca. Será que um dia me aventuro a percorrê-los?
Caminhos...cada um com o seu poder...

O poder das palavras

"Um sábio e conhecido conto árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.
- Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
- Mas que insolente - gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.
Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:
- Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.
- Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer..."
Um dia fui a uma taróloga. Curiosidade, respeito, experiência...fui e pronto! No dia seguinte ao partilhar com um colega esta visita ele comentou muito naturalmente: ouviste tudo o que esperavas ouvir, não foi? Ao que eu respondi, sim...mais ou menos. Pois...a sabedoria está nas palavras e na forma como são transmitidas. Sempre repletas de uma enorme ambiguidade. Quem as ouve, de uma maneira geral, interpreta-as segundo a sua própria vivência e elas encaixam na perfeição.
Ai as palavras...interpretamo-las sempre da forma que queremos, isto quando elas são ditas, porque quando não as ouvimos, meu Deus, as interpretações aumentam em catadupa.
Lá disse Michel Montaigne: "A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a ouve"!...

segunda-feira, maio 22, 2006

Apesar das cicatrizes...há que acreditar...

“Um jovem estava no centro da cidade, proclamando ter o coração mais belo da região. Uma multidão o cercou e todos admiraram o seu coração. Não havia marcas ou qualquer outro defeito. Todos concordaram que aquele era o coração mais belo que já tinham visto.
De repente, um velho apareceu diante da multidão e disse:
- Por que o coração do jovem não é tão bonito quanto o meu?
A multidão e o jovem olharam para o coração do velho, que estava batendo com vigor, mas tinha muitas cicatrizes. Havia locais em que pedaços tinham sido removidos e outros tinham sido colocados no lugar, mas não encaixavam direito, causando muitas irregularidades. Em alguns pontos do coração, faltavam pedaços.
O jovem olhou para o coração do velho e disse:
- O senhor deve estar a brincar...compare nossos corações. O meu está perfeito, intacto e o seu é uma mistura de cicatrizes e buracos!
- Sim, - disse o velho olhando - o seu coração parece perfeito, mas eu não trocaria o meu pelo seu. Veja, cada cicatriz representa uma pessoa para a qual eu dei o meu amor. Tirei um pedaço do meu coração e dei para cada uma dessas pessoas. Muitas delas deram-me também um pedaço do próprio coração para que eu colocasse no meu, mas, como os pedaços não eram exactamente iguais, há irregularidades. Mas eu as estimo, porque me fazem lembrar do amor que compartilhamos. Algumas vezes, dei pedaços do meu coração a quem não me retribuiu. Por isso, há buracos. Eles doem. Ficam abertos, lembrando-me do amor que senti por essas pessoas... um dia espero que elas retribuam, preenchendo esse vazio. E aí, jovem? Agora você entende o que é a verdadeira beleza?
Calado, o jovem aproximou-se do velho, tirou um pedaço de seu perfeito e jovem coração e ofereceu ao velho, que retribuiu o gesto. O jovem olhou para o seu coração, não mais perfeito como antes, mas mais belo que nunca.”
Felizmente não tenho um coração perfeito. Alguém me disse há algum tempo atrás que, para haver amor tem que se amar e ser retribuído, caso contrário são só aproximações. Apesar de todos os conceitos relativos sobre o amor e apesar de toda a dor que as cicatrizes possam provocar, seja por amor, seja por aproximação, todas elas significam que se amou. E acreditar é o que nos faz levantar todos os dias com um sorriso nos lábios!...

domingo, maio 21, 2006

A cidade dos Anjos

"Ter podido sentir o cheiro do cabelo dela, um beijo da sua boca, o toque da mão dela, valeu mais do que uma eternidade sem ela."
Hoje senti o macio das pétalas e o cheiro desta rosa que tenho no meu jardim...e foi bom, muito bom!...

sábado, maio 20, 2006

Vira o disco e toca o mesmo...

Há pouco ouvi isto:
"A exigência sem amor revolta
Amor sem exigência humilha
Amor com exigência completa"
Saber amar.

sexta-feira, maio 19, 2006

...silencia-me...

Quero mergulhar em ti
Envolver-me nas tuas ondas
Leva-me para longe de mim
Numa viagem sem fim
Corta-me a respiração
Meu mar, meu amigo, meu amado
Tu és a salvação
Maré de um fim anunciado
Rasga-me o silêncio
Devolve-me a paz
Dá-me a libertação
Silencia o meu coração!...

quinta-feira, maio 18, 2006

Há noites assim...

Assisti de uma forma única a um concerto desta Senhora...completamente sózinha e completamente completa.
Nessa noite beijei a lua.
Memória que perdurará para todo o sempre!...

quarta-feira, maio 17, 2006

A impotência

Chegou mais uma etapa de ralhos, castigos e mau humor cá por casa. A “leva” dos testes neste 3º período. Recordo-me que também detestava estudar mas…lá tinha que ser e julgo que tinha um pouco mais de responsabilidade.
Na minha mais profunda ignorância julgava, há uns anos atrás, antes de ser mãe, (assim como em muitas outras coisas, continuo a julgar tanta coisa) que iria conseguir transmitir aos meus filhos tudo o que me tinham tentado transmitir a mim, a maior parte das vezes sem sucesso.
Diálogo, compreensão, respeito, exemplos, achava eu que seriam “armas” suficientes para conseguir levar a água ao meu moinho – redondamente enganada.
Dá ideia que todos temos as nossas fases de programação e só depois de passadas, essas fases, é que damos conta que deveríamos ter estado mais atentos, deveríamos ter ouvido o que tinham para nos dizer. Com esta realidade tentamos mostrar isso a terceiros, mas o processo acho que se desenrola de forma semelhante para os terceiros, ou seja, daqui a uns anos terei provavelmente os meus filhos a tentarem fazer o mesmo que eu faço neste momento.
Sentir-me impotente deixa-me completamente de rastos. Não conseguir transmitir a "minha mensagem" às pessoas que amo, seja ela certa ou errada, dá uma sensação de fracasso tão grande, que me faz questionar tudo: quem sou, o que faço e para onde vou – e é nestas alturas que me sinto completamente perdida!...

terça-feira, maio 16, 2006

Pessoal e intransmissível


Acabei de falar contigo. Estava preocupada, embora tenha que confessar que estava uma lástima - e tu sentiste isso. Agarrei numa folha em branco e comecei a escrever. Não sei bem o quê. Aliás, eu não sei nada. Sinto nestas alturas que sou uma pessoa afortunada que não sabe dar valor ao que tem, desejando o que não faz sentido, tal como te disse - e tu concordaste e entendeste. Obrigada por estares comigo. Magoei-te...eu sei...e não foi pouco.
Mas tu conseguiste entender-me. Não sei porquê. Aliás, até sei...és uma Pessoa Grande, que me abriu o coração e me conseguiu arquivar num cantinho especial, apesar de tudo...Também tu tens um cantinho especial no meu e estarei ao teu lado até dizeres: não!...
Gosto muito de ti miúda. És especial...todos os seres humanos são especiais, as circunstâncias da vida é que fazem com que uns sejam para nós mais especiais que outros.
Beijo enorme.

A chave

No Domingo revi o filme “Titanic”. Sempre que o vejo há uma ou outra cena que retenho mais e me fica a “bater”:
Quando Cal (Billy Zane) coloca o diamante, “Coeur de la mér”, no pescoço de Rose (Kate Winslet) e lhe diz: “Posso dar-te tudo o que tu queiras, em troca só quero que me abras o coração.”
Há coisas que não se pedem nem se compram…
E a prova disso é que ela abriu o seu coração, sim, a Jack (Dicaprio). E nesse dia foi salva.
É aqui que reside o mistério da salvação…conseguirmos encontrar a chave que nos abre o coração!...E nesse dia cairão por terra todos os grilhões e algemas que temos à sua volta para o proteger – teremos o nosso peito aberto e o coração nas mãos e as mais lindas palavras de amor serão pronunciadas no silêncio.

segunda-feira, maio 15, 2006

A roseira

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade

Eu e as flores nunca tivemos uma relação muito próxima. Gosto de dar e receber flores, gosto do cheiro que exalam, gosto de ver um jardim cuidado, mas eu, cuidar de flores ou plantas sou um autêntico desastre. Dizem que é preciso falar com elas e tratá-las com amor e carinho. Talvez tenha andado a minha vida toda ocupada de mais com outras coisas que não me deram espaço para apreciar a beleza que tenho à minha volta.
Não percebo porque é que este fim de semana fiquei triste quando deparei que a única roseira que tinha lá em casa estava seca, completamente seca. Nada de espantar. Foi só mais uma que não soube cuidar. Talvez achasse que estava preparada para cuidar de flores. Mas não. Tenho imenso para aprender e um longo caminho a percorrer. Resta-me a memória do aroma que perdurou durante alguns dias e a esperança de que não deixe morrer uma próxima.

domingo, maio 14, 2006

Folha em branco

Vazia...

sábado, maio 13, 2006

O luar das minhas noites


Cabelos em desalinho
após uma noite de amor
suores misturados
bocas sedentas
corpos colados
almas amantes
Cabelos em desalinho
após uma noite de dor
suores isolados
bocas sangrentas
corpos abandonados
almas errantes
Noites de amor
Noites de dor
Noites
Tão somente

sexta-feira, maio 12, 2006

Insensatez...


Incompreensão
Rejeição
Negação
Palavras que me amaldiçoam
Sim são essas

Lutas constantes
Territórios vacilantes
Incertezas
Desafios
Sim são esses

Amo o que não tenho
Ignoro o que me querem dar
Desejo o longínquo
Desprezo o ambíguo
Amor, loucura, ou estupidez?
...
Insensatez...

quinta-feira, maio 11, 2006

Deu-me cá uma fúria!!!!!

Detesto arquivo. É daquelas coisas que vou adiando, adiando...até que quando estou praticamente atolada de papéis e já ninguém me vê quando entra no gabinete, tenho que o fazer. Entre furar papéis, meter nas pastas, organizar pastas, distribuí-las pelos diversos locais, subir e descer escadas...ufff!!! Estou exausta. Ainda dizem que os virginianos são organizados e meticulosos...eu bem que desconfio da minha data de nascimento.
Mas agora é uma sensação de leveza tão grande...porquê adiar o que é inadiável?!...

Em silêncio

Uma Voz na Pedra

Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa

quarta-feira, maio 10, 2006

Será que estou a ver mal o filme?

A. e S. decidiram divorciar-se. Um casamento que tinha esgotado há já alguns anos e que só existia por imposições morais, sociais, familiares, whatever...Imposições que sucumbiram perante um desgaste individual que se começava a tornar insuportável.
Tomada a decisão há que proceder à sua legalização. Procuram um advogado que os orienta sobre todos os aspectos que deverão ficar definidos nestas situações.
Quase no final A. questiona o advogado sobre algo que tinha ouvido, uma vez que tudo indicava que a sua situação estava a ser semelhante. Se o divórcio ficava "consumado" passadas 3 semanas, sensivelmente, tudo se iria proceder através do tratamento dos "papéis" necessários na Conservatória. Ao que o advogado respondeu afirmativamente.
Pois é meus amigos. Aqui é que está o busilis da questão. Se 2 pessoas se decidem divorciar por comum acordo, sem introduzir a figura do Tribunal, recorrendo simplesmente aos papéis que consumam o acto numa Conservatória, têm simplesmente custos acrescidos de algumas centenas de euros, ou seja:
Entras em litígio, pagas de custas do Tribunal cerca de 80 €. Divorcias-te sem litígios e pagas 250 € pelo acto em si, mais 50€ por cada certidão que delimita a divisão de bens materiais, que ainda por cima se subdividem em diversas categorias...
Histórias de faca e alguidar são as histórias que estão a dar...ou sou eu que estou a ver mal o filme?!...

terça-feira, maio 09, 2006

Sentidos

Meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo
...
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
só existes
em meus dedos
Eugénia Tabosa

Pensamento do dia

O maior de todos os milagres
é que não precisamos ser amanhã o que somos hoje.
A maior constatação é que não podemos ser amanhã
o que não fazemos hoje.
É por isso que o dia de hoje é tão importante!
John Maxwell

segunda-feira, maio 08, 2006

Cavaleiro andante

Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe
Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou
Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau
Rui Veloso

Em miúda lia imenso. Devorava todos os livros que podia. Nessa altura criei um Mundo de Fantasias que ainda hoje acredito que exista, algures...e a prova disso, é que são inúmeras as vezes que em sonho, me encontro numa praia deserta, à noite, e surge vindo do nada uma figura montada num cavalo branco, que me agarra e me leva. Não tem rosto e não me fala, mas transmite-me uma sensação de paz e felicidade indescritível.
Sonhos que me acompanham...ainda bem...uma realidade ausente que por breves momentos se torna uma realidade presente! É o acreditar que existe algures um Mundo perfeito à nossa espera. E enquanto acreditarmos não desistimos.

domingo, maio 07, 2006

Os "nossos" filhos

Os vossos filhos não são os vossos filhos.
São os filhos e filhas do desejo que a vida tem de si própria.
Chegam por vosso intermédio, mas não vêm de vós,
E, apesar de estarem convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não os vossos
pensamentos,
porque eles têm os seus próprios pensamentos.
Podeis acolher em vossa casa os seus corpos, mas não as suas almas,
porque as suas almas vivem na casa do amanhã,
que não podeis visitar, nem mesmo em sonhos.
Podeis tentar ser como eles, mas não deveis tentar
fazer com que sejam como vós,
porque a vida não volta atrás, nem permanece no
dia de ontem.
Sois os arcos a partir dos quais partem os vossos filhos
como flechas vivas.
O arqueiro vê o alvo no
infinito, e verga-vos com o seu poder
para que as suas flechas possam voar rápidas e para longe.
Deixai que a mão do arqueiro, ao vergar-vos, produza
alegria;
porque, tal como ama a flecha que voa, também
ama o arco que é estável.
(Khalil Gibran, The Prophet)
Enviaram-me esta pérola há alguns anos atrás. Guardei-a e releio-a. Agora partilho-a neste espaço.
Como vês querida amiga, foram muitas as coisas que me deixaste gravadas em vários formatos. Obrigada :)

sexta-feira, maio 05, 2006

A todas as mães

M ulheres! Por tantos são ignoradas
U nicas possuidoras da verdadeira beleza
L eoas que por algo lutam assanhadas
H ienas que se riem quando elas são a “presa”
E las são fortes e frágeis
R epletas, completas, insaciáveis

P ela mão levam a sabedoria
E sperança de um Mundo melhor
D edicam a vida à vida de um dia
R enegando uma existência de dor
A braçadas pela única luz que alumia

P alhaços que riem, tristeza no rosto
R iqueza fingida, pobreza no rosto
E studantes que lutam à espera de nada
C obaias que somos de tudo e de nada
I maginem agora o que é ser mulher
O uvindo dentro de si o mar a correr
S entindo em si uma Vida a mexer
A garrando o Sol que acaba de nascer

Sem título...aceito sugestões...

As crianças são naturalmente irrequietas, turbulentas, não antevendo o perigo em lado nenhum. Os meus filhos até nisso são o oposto. O mais velho sempre foi muito medricas, logo muito cuidadoso, sentia que o perigo o espreitava a todo o momento. O mais novo sempre foi destemido, o que pressupõe cuidados a redobrar.
Em relação a J., quando era mais novo, dificilmente o "perderia" ou ele se "perderia" de mim. Não se afastava nem um cm, nem para brincar com os amigos que se encontravam a 1 metro de distância. Já o mais novo, o Z., bastava um segundo e já estava a Kms. de distância.
Bom...mas apesar de todo o cuidado que J. tinha, com 5 anos, escorregou na banheira, bateu com o queixo no bordo, e...abriu o queixo!...
A caminho do hospital, J. ao meu colo, diz-me:

"- Sabes mãe...
- Sim J., diz.
- Há dias, na escola, a professora contou uma história sobre os passarinhos.
- Sim J.?! E gostaste?
- Gostei muito. As mães pássaros gostam muito dos filhos.
- Claro J.. Todas as mães gostam muito dos filhos.
- Pois...sabes que quando os filhos caem dos ninhos elas os agarram em voo..."

Abracei-o. Palavras para quê?!...

quinta-feira, maio 04, 2006

Crianças...:)))

J. é uma criança que não tolera a dor. Um pico no dedo mindinho, transforma-o de tal forma, que dá a sensação que a qualquer instante lhe vai "cair a mão".
Um belo dia (para ele não era por certo), J. estava com prisão de ventre, deduzo. As lágrimas rolavam-lhe pela face com a dor que sentia. Expressava-a dizendo que tinha um "ferro" no rabo. A expressão de dor era tão forte que eu quase pus em causa que se tratasse efectivamente de uma prisão de ventre (mas era...).
Nesse dia, mais tarde, comentou com o irmão caçulo a dor de que tinha sido alvo. Muito calmamente este respondeu-lhe:
"J., não te preocupes. Esse ferro que sentiste no rabo é o que eu ás vezes sinto na pila. Isso passa...".

quarta-feira, maio 03, 2006

Ainda para TI...

Naquele dia, não te limitaste a devolver uma vida. Fizeste muito mais do que isso. Deste-me uma lição de vida.
Quando nos refugiamos em traumas para desculpar comportamentos, teremos desculpa? Somos e fazemos de nós aquilo que queremos ser.
Aquela criança, foi salva de várias maneiras. No dia seguinte, a festa desenrolou-se. Era a festa do irmão mais velho. Este tinha os olhos vermelhos de tanto ter chorado no dia anterior, mas ali estava, pronto para receber os amigos. Gozou como pôde soube, sem nunca retirar os olhos do irmão caçulo. E este, tinha tido a percepção de tudo o que lhe tinha acontecido. Contou na 1ª pessoa como tudo se tinha passado, inclusivé a sensação que tinha tido quando o padrinho lhe carregava no peito, mais parecendo que o ia esmagar. Traumatizado? Poderia ter ficado, mas não!... Brincou na piscina com o irmão e os amigos do irmão no dia seguinte. Medo? Também não. Iniciou aulas de natação meses depois e hoje tem menos medo da água do que o irmão. E sempre que vê na T.V. uma cena de reanimação, diz muito orgulhoso do seu padrinho: "O meu padrinho salvou-me!...". Diz isso com um sorriso nos lábios e o irmão fica com um nó na garganta.
Eu?! Agradeço os filhos maravilhosos que tenho. Tão diferentes e tão iguais. O fio condutor que nos une é o amor...expresso de formas diferentes, mas sem dúvida é AMOR!...

terça-feira, maio 02, 2006

Preciso de TI...meu Anjo!...

O próximo Domingo é dia da mãe. Abominável?! Talvez. Uma mãe é mãe todos os dias. Mas ter um dia não significa que não o seja. É só um dia que lhe é dedicado de uma forma diferente.
Como mãe que sou, de dois putos reguilas, vou dedicar-lhes os próximos posts. Dedicá-los a eles é dedicá-los a mim, indubitavelmente. Eu cresco e aprendo, também através deles. Eles não são a minha vida mas tenho deveres e obrigações das quais não me posso alhiar. Quando penso em mim, penso em nós. Não consigo fazer de outra forma, ainda que em termos pessoais (egoístas) possa significar a "perda" de muitas coisas...
Dia X, 18 horas. Véspera de uma festa de anos que pressupõe alegria, bem estar, risos, correrias, rostos alegres. As festas das crianças são assim. Cheias de emoções. A excitação própria de quem deposita num determinado dia o apogeu de um ano. Tudo apontava para um dia em cheio. E na véspera juntam-se alguns familiares para iniciar a festa. A festa dos adultos. Arranjou-se um cabaz de sardinhas bem fresquinhas para se fazer uma sardinhada num final de tarde que prometia ser bem animada.
Entre fazer doces para o dia seguinte, um grelhador começava a debitar faúlhas e a transformar a madeira em brasas incandescentes, música que tornava o ambiente simpático e acolhedor, todas as pessoas estavam sintonizadas para um único objectivo: festa, muita festa!
Existia uma piscina. Sim, a alegria das crianças. Contra o que era habitual, nesse dia existiam bolas, colchões, animais insufláveis na piscina, para que as crianças no dia seguinte disfrutassem de um dia em pleno. Objectos de alegria para uns mas que podem ser mortais para outros. A vida é isso mesmo. Uma moeda de duas faces.
O elemento mais novo dessa família, tinha na altura dois anos e onze meses. Não era ele o aniversariante. A sua festa seria daí a um mês. Também ele andava excitado. Corria de um lado para o outro e gozava do ambiente que existia naquele dia.
Os adultos todos estavam ocupados. Cada um à sua maneira. Uns preparavam o dia seguintes outros preparavam o petisco de final de tarde. Num determinado momento, dois adultos pararam para fumar um cigarro debaixo de um telheiro. Conversam e disfrutam de cinco minutos de pausa. Benditos cinco minutos. Um deles olha para a piscina e diz: "O que é aquilo que está no fundo da piscina?".
Tudo foi muito rápido. Tão rápido que mais ninguém se apercebeu que no espaço de alguns minutos que mais pareceram anos se ia perdendo uma vida. Valeu aquele homem que teve a frieza necessária (padrinho da criança) para ir buscar "aquela coisa" que estava no fundo da piscina, passá-la à outra pessoa (mãe da criança) e de seguida pôr em prática o que sabia para tentar reanimar a criança que aparentemente já não tinha sinais de vida.
Momento vivido a três. Mais ninguém viveu aquele momento em que uma vida se encontrava no limbo entre a vida e a morte. Bastariam mais alguns segundos para tudo ter terminado tragicamente.
Senti-me naquele dia a pessoa mais afortunada do Mundo. Ainda hoje sonho com aquela imagem. Agradeço e agradecerei todos os dias a benção que recebi naquele momento. Fui alvo de negligência e de comentários que ainda hoje sinto na pele e me ecoam na cabeça. E assumo essa negligência. Nunca, ao longo desta vida, achamos que certas coisas vão acontecer connosco.
Nesse dia um Anjo esteve presente na minha vida. E é esse Anjo que me tem acompanhado. Mas os erros que se cometem ao longo da nossa caminhada têm limites. Receio que o Anjo deixe de me acompanhar. Não o critico. Só lhe posso pedir para não me abandonar...
Preciso de TI...meu Anjo!...